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sexta-feira, 11 de maio de 2012

BEYOND THE VALLEY OF THE DOLLS *****



Em 1967, um filme chamado "The Valley of the Dolls" (O Vale das Bonecas), do diretor Mark Robson, fez barulho. Era uma produção caprichada, com elenco de primeira e texto forte, centrado numa estória sobre aspirantes à profissão de ator, mundo teatral, suas vaidades, glamour, frustrações etc. Claro, nem preciso dizer que seguia a mesma linha do clássico "All About Eve", de 1950.
E uma sequência foi programada para seguir esse sucesso, mas desvirtuou-se tanto que quando ficou pronto, os produtores colocaram um comunicado dizendo que não tinha nada a ver com o filme de 1967.
Nesse clima de brigas entre produtores, foi produzido então "Beyond of the Valley of the Dolls"( De Volta ao Vale das Bonecas) em 1969 e lançado em 1970.
Antes de mais nada , é bom registrar que uma das inúmeras conotações da palavra "Doll" à época, se tratava de uma gíria para designar comprimidos tranquilizantes que eram consumidos por viciados, visando efeitos recreativos. 

Desta feita, a trama girou em torno de três garotas, Kelly, Casey e Petronella (interpretadas por Dolly Read, Cynthia Myers e Marcia McBroom), que formam uma banda de Rock fictícia, denominada "The Carrie Nations". 
Indo à Los Angeles para buscar a fama, se envolvem com Hippies e conhecem o produtor musical Ronnie "Z-Man" Barzell (interpretado por John LaZar), uma figura "flamboyant", típica daquela virada de década de 1960 para 1970, ou seja, trazendo uma misteriosa androgenia.
Fora a questão musical, uma das garotas é herdeira de uma fortuna. Decorrente disso, várias pessoas que se aproximam delas, tem interesses escusos e dessa forma, muitos conflitos são criados.
Pelo fato do filme de 1967, "The Valley of the Dolls" ter tido a atriz Sharon Tate como uma das protagonistas, criou-se cenas de teor macabro, exatamente para evocar o trágico assassinato de Sharon Tate na vida real, que era assunto recente e super explorado pela mídia.
                                            Luiz Domingues - músico e escritor
As cenas da banda fictícia "The Carrie Nations"em ação são bem falhas, pois as três atrizes não sabiam tocar instrumentos musicais e mal sabiam empunhá-los com um mínimo de verossimilhança. Mas tudo é compensado com uma aparição da ótima banda "Strawberry Alarm Clock", esta real e embora nunca tenha alcançado uma grande posição na sua carreira, é cultuada até hoje por muitos fãs.
E as canções cedidas pelo compositor Stu Phillips (responsável por muitas trilhas de séries de TV e filmes), também contribuiram bem para o filme.
Carregando num visual Hippie Chic, o diretor Russ Meyer também imprimiu bastante erotismo. Alguns críticos chegaram a dizer que era uma "Barbarella" menos espacial/lisérgica, mas mais macabra e erótica.
Graças à essas cenas mais picantes, incluso de lesbianismo, a censura americana deu classificação "X" à época. Muitos anos depois, abrandou essa classificação, talvez como sinal dos tempos, refletindo outros valores morais na sociedade.
O filme teve um padrão de investimento considerado modesto à época, mas surpreendeu os produtores, rendendo o equivalente à dez vezes mais nas bilheterias.
Hoje, é considerado um filme cult entre colecionadores.
É um interessante documento de época, ainda que recorrendo à algumas distorções do panorama do fim de década de 1960 e início dos anos setenta.