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terça-feira, 3 de abril de 2012

GREAT BALLS OF FIRE *****



Por Luiz Domingues - Músico.
Em 1989, um lançamento cinematográfico fez grande sucesso, resgatando a biografia de um dos maiores nomes da história do Rock cinquentista: Jerry Lee Lewis, também conhecido como "The Killer".
 
Personalidade controversa, Jerry Lee Lewis construiu sua carreira sob dois pilares básicos : O talento inegável e os escândalos proporcionados pelo seu temperamento irascível.
 
Baseado na biografia escrita por Myra Lewis, sua esposa, o filme dá um panorama rápido sobre a infância e adolescência do astro e foca sua atenção mais na ascensão e decadência de sua carreira, para encerrar-se na retomada do prestígio, já perante uma nova geração de fãs, na década de sessenta.
 
Interpretado pelo ator Dennis Quaid, "The Killer" se encantou pelos blues dos negros ainda mal saído da infância e perseguiu esse jeito cheio de swing do blues de New Orleans no seu jeito de tocar piano.
 
Quando surgiram as primeiras oportunidades de gravar e consolidar-se como artista autoral, o Rock'n'Roll começava a explodir na América, justamente fazendo essa fusão entre o Blues dos negros e o country & western dos caipiras brancos, exatamente a especialidade de Jerry Lee Lewis.
 
Sua completa irreverência para os padrões da década de cinquenta, enlouqueceu o público e rapidamente o catapultou à condição de um astro nacional, no mesmo patamar de artistas como Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins, Bo Diddley, Bill Halley, Gene Vicent e Buddy Holly, entre outros.
 
Extremamente arrogante e excêntrico, chamava a atenção pela performance tresloucada, subindo em cima do piano, tocando com os pés e até ateando fogo ao instrumento, um escândalo para a época.
 
Mas toda essa excentricidade escondia um conflito interno seu, muito enraizado. Por ser primo de um famoso pastor evangélico, Jimmy Swaggart (no filme, interpretado por Alec Baldwin), ficava remoendo-se internamente pelas advertências religiosas do primo, acusando-o de agente demoníaco por ser um astro do Rock etc e tal.
 
Mas o grande escândalo veio quando se apaixonou pela filha de um outro primo, que aliás tocava baixo na sua banda de apoio. Causou um rebuliço e tanto quando se casou com uma menina de apenas 13 anos, Myra Lewis (no filme interpretada por Winona Ryder).
 
Após muita briga, finalmente o primo concordou em deixar sua filha adolescente se casar com ele, mas tentando manter sigilo, pois isso certamente causaria uma comoção nacional.
 
Entretanto com a carreira explodindo, foi fazer turnê na Europa e assim que pisou no solo britânico, descobriram que aquela menina era sua esposa. Com o escândalo chegando aos tablóides, Jerry Lee Lewis foi execrado pelo público e quando voltou à América, o escândalo estava consolidado e milhões de dedos puritanos apontavam para o seu nariz "pecador".
 
Entrando num declínio acentuado, passou maus bocados, até reerguer-se e levar a carreira adiante por muitos anos.
 
O filme termina aí nesse início de retomada.
 
Assisti um show de Jerry Lee Lewis no ano de 1993, aqui em São Paulo. Casa lotada de admiradores do "The Killer", expectativa enorme de vê-lo ainda que já beirando os 70 anos de idade. Ele entrou em grande estilo, visual de caipirão do sul, tocou demais, cantou, subiu no piano arrancando gritos de fãs que o acompanhavam desde os anos cinquenta etc e tal. Mas estava visivelmente bêbado e num dado instante, chutou o banquinho do piano e se retirou do palco. As luzes se acenderam e um princípio de tumulto se instaurou, pois afinal de contas haviam transcorridos apenas 37 minutos de show...
 
Ficou por isso mesmo, com várias pessoas indo reclamar o dinheiro de volta na bilheteria, mas eu estava absolutamente feliz por ter visto "The Killer" em ação e do jeito temperamental e imprevisível que ele sempre foi em sua carreira inteira.
 
O filme mostra isso, claro. Os arroubos de arrogância, os chiliques etc etc. Só acho particularmente que o ator Dennis Quaid carregou demais na interpretação, confundindo essa personalidade explosiva do Jerry Lee Lewis, com caras e bocas em excesso, caricaturalmente em demasia.
 
No mais, a música é magnífica, claro e a produção caprichada, principalmente na direção de arte, onde os americanos raramente vacilam. E sob a direção de Jim McBride.
 
É diversão garantida para quem nunca viu !