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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

THAT THING YOU DO...por LUIZ DOMINGUES


Luiz Domingues
No início da década de sessenta, dois grandes movimentos musicais movimentaram a América na Era pré-psicodelia : Em primeiro lugar, a British Invasion, uma onda de bandas britânicas com os Beatles na dianteira e que tomaram o país de assalto, para em seguida proporcionar a reação dos yankees, com um movimento conhecido históricamente como : "American Reaction".

É nesse contexto que o filme "That Thing You Do" atua, retratando a ascensão e decadência de uma banda fictícia da Pennsylvania, chamada "The Wonders" (Daí no Brasil o filme ser conhecido como "The Wonders - O sonho não acabou").

Com roteiro e direção de Tom Hanks, o filme mostra esse ambiente americano entre 1963 e 1964, através da banda The Wonders.

Originariamente chamada "The Oneders", um confuso e dúbio trocadilho, a banda se apresentava em pequenas casas noturnas e festivais colegiais insípidos apenas, em sua cidadezinha interiorana quando às vésperas de um festival mais importante, sofrem um revés. Com um braço quebrado, seu baterista se impossibilita de tocar e dessa forma, convidam um substituto às pressas, chamado Guy "Shades" Patterson (Interpretado por Tom Everett Scott).

O destino muda a vida da banda quando durante o festival, o novo baterista imprime um andamento acelerado e muda a batida da balada insossa "That Thing You Do", transformando o arranjo da música e assim lhe conferindo um clima empolgante de "bubblegum" à lá Beatles, arrebatando a platéia.

Com esse sucesso, passam a tocar em lugares melhores e logo conseguem um empresário que os coloca em situações vantajosas, inclusive tratando de produzir um single, ainda que mal gravado, mas que faz enorme sucesso local.
 
Dessa forma, chamam a atenção de um empresário de maior porte que os contrata e os coloca num rítmo de ascensão rápida e segura.

Esse empresário é Mr. White (Interpretado pelo próprio Tom Hanks), nítidamente inspirado no mítico empresário dos Beatles, Brian Epstein.

É muito interessante ver a composição do personagem por Hanks nesse sentido, com os trejeitos, a maneira com que cobra posturas da banda no trajar, se portar e lidar com todas as situações.
 
E na elaboração do roteiro, Hanks teve muita felicidade , pois alinhavou diversas situações engraçadas ou não ( O despreparo de garotos interioranos para fazer sucesso maciço, por exemplo), que trouxe diversas matizes dos bastidores de uma banda emergente, naquele cenário da época.

A cena em que ouvem pela primeira vez a sua música tocando no rádio é belíssima. A emoção prosaica desse feito inédito para a banda, emociona.

E aí começam as excursões extenuantes pelo interior, tocando com outros artistas da gravadora e a ascensão contínua e segura da banda, até participar de um filme (Numa alusão áquela safra de filmes ambientados nas praias californianas, que fizeram a fama de atores como Anette Funicello, Sandra Dee e Frankie Avalon, por exemplo e onde sempre haviam cenas musicais desse tipo) e ir se apresentar num programa de TV de repercussão nacional que os catapulta à condição de sucesso total (Alusão ao Ed Sullivan Show).

É bonito ver a música subindo nos charts, onde se lê seu nome misturado às feras reais da época, como The Rolling Stones, por exemplo.

Mas existem conflitos também, claro.
O guitarrista/vocalista James "Jimmy" Mattingly II (Interpretado por Johnathon Schaech) é temperamental e arrogante. Querendo se arvorar de ser o compositor da maioria das canções da banda, quer os louros da vitória só para si, além de desprezar o amor de sua linda namorada, Faye Dolan (Liv Tyler, deslumbrante como uma moça de 1964...), que por sua vez, se torna produtora da banda e braço direito de Mr. White.

O baixista "T.B. Player" (sem nome definido no filme, apenas conhecido por esse apelido, que significa "o baixista", interpretado por Ethan Embry) , não tem firmeza de propósitos e de maneira infantil, deixa a banda no auge da ascensão, para se alistar no exército...

O guitarrista solo, Leonard "Lenny" Haize ( Steve Zahn), fica embriagado e se casa , na calada da noite em Las Vegas.

Ainda tentando salvar seu investimento, o empresário Mr. White contrata um novo baixista, mas a banda já não suporta seus problemas internos e implode.

A vida é assim mesmo, pois é muito difícil para qualquer artista ter a sorte de encontrar uma porta aberta e muito mais difícil ainda, é se manter dentro desse seleto hall do sucesso.

"That Thing You Do" é um filme leve e delicioso de se assistir. Retrata com muita felicidade esse período lindo da Era pré-psicodelia na América.
Com excelente figurino, direção de arte caprichada e ótimas cenas de shows, o filme tem também um bom elenco (Charlize Theron também participa, fazendo a namorada do baterista, no início ). Além, é claro, da trilha ser muito boa.

Tom Hanks, além de criar o roteiro, produzir, dirigir e atuar, também compôs algumas canções da trilha, feito que o fez se igualar à Charles Chaplin, que costumava também acumular diversas funções em seus filmes.
 
Mesmo sendo a estória de uma banda fictícia, "That Thing You Do" retrata de forma fidedigna o ambiente musical desse época na América, em plena reação yankee ao sucesso avassalador das bandas britânicas, com os Beatles na sua sublime comissão de frente.