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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

BOMBA ATÔMICA ...POR MYRNA MOON !!

Razão: Um bem ou um Mal?


A sociedade humana em toda a História de sua existência é marcada por fatos significativos que sinalizam rupturas importantes quanto ao conceito de civilidade. Acreditamos, a priori, no progresso evolutivo que nós humanos atingimos com o passar das épocas.
O homem primitivo lutava com necessidades diariamente e ao que parece, para os antigos humanos, cada dia era uma luta pela sobrevivência, luta em seu aspecto totalmente intuitivo. Possuíam algumas ferramentas de pedra, viviam da caça, não acumulavam, e seus confrontos com outros humanos significavam a diferença entre viver ou morrer. Estes homens primitivos sofrem então, sua primeira mutação e passam da selvageria á barbárie, quando desenvolvem ferramentas e armas, aprendendo desse modo exercer a dominação sobre a natureza e sobre outros humanos, os mais fracos. Já não matavam os inimigos; fazia-se deles prisioneiros, ou seja, “escravos”.
                                                   
Toda essa transformação ocorreu de forma lenta e progressiva, e foram responsáveis por enraizar na psique coletiva conceitos, por exemplo, de propriedade, caracterizando a dominação de seres humanos sobre outros, subjugando desse modo pela força e impondo seu domínio. Podemos afirmar que tais posturas também significavam a diferença entre a vida e a morte. O ato de dominar surgiu talvez de forma inconsciente, e a certa altura inicia-se um desdobramento e vai desse modo, se estendendo a todo o mundo conhecido.
Falo de tempos muito antigos, da aurora da humanidade, seus primeiros passos sobre a terra e suas lutas diárias com o mundo hostil que se manifestava no próprio agir humano. Até certo ponto, as transformações eram imperceptíveis, o tempo passava de lentamente e ao olharmos para a História até o momento das grandes revoluções, temos a impressão de estagnação. Porém, apesar de lentas essas mudanças foram surgindo e durante a Idade Média, principalmente com o advento do cristianismo, os comportamentos passam a ser observados, controlados e questionados. Após a Renascença e alguns séculos depois com o surgimento do Iluminismo, os olhos humanos se abriram a novas possibilidades.
Os três conceitos principais pregados pelo Iluminismo- Liberdade, Igualdade e Fraternidade- abrem aos seres humanos a percepção de sua individualidade em relação ao outro e vice-versa, quando então a dominação e imposição pela força passam a ser repudiada por aqueles que preconizaram o mais novo e relevante conceito capaz de abalar a estrutura da sociedade humana: a Razão. Um novo tempo se inicia, a sociedade civilizada cuida da ordem no mundo, os tempos da barbárie ficaram para trás... Será?
 Infelizmente não. Os seres humanos de posse da “Razão” inauguram nesse momento o ato mais bárbaro que sequer poderia ser imaginado pelos nossos ancestrais “selvagens”. No ano de 1914 com a primeira guerra mundial e tempos depois, no ano de 1945 quando ao final da Segunda Guerra, a tecnologia desenvolvida pela racionalidade humana apresenta ao mundo a “Bomba Atômica”.  
 No dia 6 de agosto de 1945, Hiroshima, cidade japonesa é bombardeada pela força aérea americana. Após três dias outra cidade, Nagasaki sofre também um ataque do mesmo modo, sob a justificativa dos E.U.A. em forçar a rendição do Japão. Na verdade, tais atos não foram mais que uma demonstração de força das armas nucleares. A escolha das duas cidades que nunca haviam sido ameaçadas ou atacadas foi devida suas localizações geográficas, pois ambas situavam-se em vales e eram pouco vigiadas. Desse modo, a avaliação dos danos causados pela nova tecnologia poderia ser mais bem observada.
                                                  
 Até aquele momento nunca se havia visto demonstração maior do poder de destruição bélico, e não se tinha idéia das conseqüências dessa experiência. A destruição se deus num perímetro de dois quilômetros e meio, devastando completamente a vegetação e as estruturas da cidade. “Little Boy” (rapazinho) “Fat Man” (homem-gordo), nome código das bombas lançadas sobre Hiroshima (6 de agosto) e Nagazaki (9 de agosto), desintegraram as duas cidades. Os sobreviventes vagavam pela destruição desnorteados, com graves queimaduras provocadas pelo intenso calor causado pela explosão, sem se darem conta do que havia acontecido.
 O dano ao meio ambiente causado pela radioatividade foi incalculável. Chuvas ácidas contaminaram a região, as plantações, lagos e rios. Muitos morreram em lenta agonia, enquanto não recebiam nenhum tipo de atendimento. Ainda nos dias de hoje, descendentes sofrem os efeitos da radioatividade.
 A História da humanidade foi marcada mais uma vez a “ferro e fogo” e suas marcas foram profundas.  Hoje, sessenta e seis anos após a tragédia, Hiroshima reconstruída é uma cidade moderna e desenvolvida, mas as lembranças daquele 9 de agosto permanecem vivas na memória mundial, e principalmente no povo japonês, que humildemente arregaçou as mangas, trabalhou e reconstruiu seu país, devastado pela “evoluída” barbárie humana. Foi construído o Memorial da Paz de Hiroshima, um apelo a “Paz Mundial”, que se tornou uma das atrações mais visitadas no Japão, e um acervo cultural.
 Ainda é um sonho um mundo sem guerras. A invasão ao Iraque (2001) pelos Estados Unidos justificado pelo ataque as torres gêmeas, símbolo do orgulho americano, marca a chegada do novo milênio. Hoje, dez anos após esse terrível ataque, a desnecessária invasão ao Iraque, dá seus frutos. Vemos os EUA principal vitima da animosidade de seu líder na época, G. W Busch que com seu discurso religioso-patriótico, enterrou milhões de dólares na manutenção dessa guerra, imaginando talvez compensar os gastos com domínio do petróleo que, talvez, conquistaria e o resultado está aí: seu país atravessa hoje uma das piores crises financeiras, que ameaça abalar todas as estruturas política e econômica mundiais. Nada como o tempo, que ao passar muda tudo de lugar, e devolve à humanidade as conseqüências de seus atos.
 Quem  neste contexto são os vencidos e vencedores, o terror ou o orgulho?  Será preciso mais do que temos visto para  que lideres mundiais entendam o real significado e o valor da Paz? E nós, já sabemos?
Myrna Moon, Agosto de 2011.