SEGUIDORES

terça-feira, 12 de julho de 2011

MYRNA MOON - .............ROCK 'N ROLL


   

Eu sei, é apenas um Rock and Roll, mas eu gosto!


It's Only Rock 'n Roll But i like it !!!


Ao pensar em escrever para o Dia do Rock , refleti sobre o som, a música. Ela vem pelo ar, notas invisíveis, harmonias perfeitas, despertando em quem passa por ela milhões de sensações. O rock, particularmente, traz em si uma sensação de liberdade, de esclarecimento, de felicidade imediata, e não é apenas um som. O Rock and Roll já é um arquétipo moderno no inconsciente coletivo do mundo judaico-cristão-ocidental. Um instrumento de Libertação.
Mesmo que algumas instituições tentem reduzir seu potencial, associando-o à violência, às drogas, ao sexo irresponsável, ao satanismo, à vadiagem etc., me perdoem, mas estes são os filhos do capitalismo. O rock evoluiu do blues negro, à parte de uma sociedade onde o diabo já era velho, vindo da Europa, tendo chegado na América de caravela, junto com os primeiros colonizadores europeus.
Em todo o continente americano, a fusão cultural demonstrou a força da música, seja com os primeiros tambores, no lamento das mulheres à beira de um rio, ou dos homens nas plantações, a dor da subjugação era aliviada a partir das canções, que representavam seus sentimentos, e por vezes traziam seus códigos.
No festival de Woodstock, num protesto contra a guerra, contra a dominação e imposição americana, lá estava o rock em sua fase adolescente.
Em 13 de julho de 1985, e depois em 2005, como em resposta aos tambores tocados para os deuses, o Sr. Rock and Roll e suas guitarras incandescentes, colocam diante do mundo a situação de miséria do continente africano. Não se tratou de uma missão apenas solidária, muito menos espiritualista ou de caridade. Foi uma demonstração da imensa capacidade humana de transformar a realidade caótica, intervindo com arte e inteligência a serviço da própria humanidade.
Os progressos técnicos, resultado de duas guerras mundiais, não puderam evitar a aquisição também de valores espirituais profundos que caracterizam nossa época. Não aquele sentimento de culpa, pecado, inferno. Não, isso deve queimar para sempre nas cinzas Idade Média, assim como suas trevas, seus inquisidores e seus demônios. Falo da consciência da responsabilidade de cada um diante do mundo que vivemos.
Para isso temos a música, esse espírito bem vindo, que consegue tocar a alma e manter acesa a chama da esperança de um mundo melhor, mais justo, sem demagogia ou hipocrisia. A música é o termômetro da sociedade onde atua. É alimento intelectual, emocional. Torna-se necessária uma avaliação do que nos alimentamos hoje. Afinal, “ o homem é o que ele come”.
Viver de música não é fácil, assim como também não é viver de muitas outras formas que pretendam ser honestas, realmente comprometidas com um ideal coletivo. Somente assim é possível, realmente, intervir fazendo a diferença, principalmente nos dias atuais diante de valores tão confusos. As religiões se fragmentaram, ética política totalmente desintegrada, a desestruturação da psique humana promovida pela “mídia corporativista burguesa”, males que também atingiram a esfera da música: a música também sofreu uma invasão. Quantos de nós não pasmamos diante de algum absurdo promovido por algum espaço na mídia. Ah, mídia alienante, um veículo de transmissão de cultura descartável, impossibilitando o desenvolvimento saudável do intelecto.
Quando tudo parece perdido, eis que surge o Dia do Rock primeiro para erradicar a miséria material no continente africano (Etiópia, l985), também alertando que a verdadeira miséria vem da desigualdade, da não possibilidade de um desenvolvimento humano, em seu verdadeiro potencial. Precisamos erradicar também a mediocridade, a ignorância, a pobreza de espírito, matéria-prima que alimenta o sistema injusto com a maioria. Não é fácil, mas a tendência à escravidão precisa ser vencida. Ela esteve presente em muitas épocas e culturas na História, mas a escravidão africana foi muito pior, pois humanos eram moeda de troca, peças retiradas de seu ambiente à força. Vemos hoje o que a escravização de seres humanos produziu para o povo africano, assim como também a herança miserável que legou ao Brasil, quando no sistema carcerário vemos verdadeiras extensões da senzala.
Liberdade, Igualdade e Fraternidade, conceitos que mudaram o mundo, conheceram sua mais completa expressão através do espírito Rock and Roll, com o seu “quê” imponente, dono de certa grandiosidade natural. O que não impediu que muitos se perdessem no caminho, lutando uma batalha por um grande ideal, mas quer saber? São infinitamente melhores que os certinhos, os politicamente corretos, trancados em suas bolhas, pois reagiram, protestaram, ousaram e saltaram com coragem para a vida, mesmo que ela não exista após a morte, mesmo que não haja recompensa, no céu ou na terra, isso não significa que não tenhamos obrigação de deixar um mundo melhor do que encontramos para os que vieram depois de nós.
Esse dia é para celebrar a vida, essa grande festa, sem hora definida pra acabar. Venha, passe para essa dimensão onde o espaço e o tempo nada significam.
Ouçam o grito de Plant, chamando as Walkirias (Immigrant Song) para recolher os heróis anônimos que tombaram em combate, e vivenciem a mais pura expressão do sentimento que nos torna uno com o Cosmo. Pelo fim da dominação mental que gera pessoas “diferenciadas”, pelo fim do lixo cultural que somos obrigados a engolir pelo ouvido, pelo fim da repressão intelectual.
A todos que vivem o rock, seja como expectador, admirador, mas principalmente aos músicos profissionais e aspirantes que se atrelam ao rock e fazem a sua parte, mantendo viva  a memória dos grandes “Mestres do Rock”, nossa gratidão. 
Escolha, você pode. Liberte-se. Desejo à todos uma “Boa Viagem!”.

Myrna Moon