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sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUADROPHENIA .por LUIZ DOMINGUES


Quadrophenia

Foi no final dos anos cinquenta que um movimento sócio-cultural começou a ganhar força na Inglaterra, misturando vários conceitos : Era o Movimento Mod.

Sendo uma abreviatura da palavra "modern", essa tribo cultuava R'n'B, Soul Music e sobretudo distinguia-se pelo visual, onde seus adeptos caprichavam em roupas de caimento perfeito, tecido italiano de qualidade etc.

Os Mods tinham uma rixa muito grande com os Rockers por um motivo básico: Eram nacionalistas e não suportavam os Rockers que cultuavam o Rock americano cinquentista, usando roupas de couro, topetes à la Elvis Presley etc.

E por serem ultra britânicos, adotaram como símbolo, o logotipo que a RAF (Royal Air Force ou Real Força Aérea Britânica em português), usava em suas aeronaves.

Outra marca registrada deles, era o uso em profusão de Scooters ou Lambrettas. E depois que as autoridades britânicas de trânsito criaram Lei tornando obrigatória a instalação de espelhos para os condutores desses veículos, os Mods em protesto passaram a exagerar e para ironizar a Lei, passaram a instalar inúmeros espelhos, tornando suas motocicletas, espalhafatosas.
 


E tudo isso regado à anfetaminas, tornava o Mod típico, um cara agitado, que gostava de dançar a noite inteira, impressionando as garotas com suas roupas elegantes.

Quando a cena do Rock britânico explodiu de vez no início para o meio dos anos sessenta, haviam bandas cultuadas pelos Mods, como Small Faces, The Yardbirds, The Action, The Creation, John's Children e a suprema entre todas, o The Who.

Um repórter perguntou num dia qualquer desses anos (1963 ou 1964 ?) ao baterista dos Beatles, Ringo Starr, se ele era Rocker ou Mod. Sempre espirituoso em suas declarações, não se fêz de rogado e respondeu : Sou um "Mocker"...

Em 1973, o The Who lançou no final do ano, o seu sexto álbum de estúdio. Seguindo a linha do disco "Tommy", que lançara em 1968, apresentou "Quadrophenia", outra obra conceitual, no estilo Ópera-Rock.


Era a estória de um rapaz Mod em 1963, vivendo no esplêndor do movimento. O desajuste de sua vida pessoal é dividido em quatro subpersonalidades, cada uma representando um aspecto de cada membro do The Who.

E a palavra "Quadrophenia", também pode ser interpretada como "Esquizofrenia , dividida em quatro frações".

O disco é uma obra monumental do The Who, sendo considerado como predileto por boa parte dos fãs dessa genial banda britânica.

Na capa do álbum, o personagem Jimmy, de costas, sentado na sua Lambretta, com quatro espelhos retrovisores onde se veem os rostos de todos os membros do The Who ou suas subpersonalidades.

Claro, tornando-se um álbum clássico não só da carreira do The Who, mas da História do Rock, "Quadrophenia" acabou motivando um filme longa metragem, tal como "Tommy" também motivou.

Mas há diferenças básicas no conceito entre os dois filmes. Em "Tommy", o diretor Ken Russell carregou na lisergia, alegorias e elementos oníricos louquíssimos.

Já Franc Roddan optou por uma condução rústica, com fotografia porosa e pouco delírio, embora as "viagens" de anfetaminas fossem significativas para retratar o ambiente Mod daquela Londres de início/meio dos anos sessenta e há um passo da Swinging London multicolorida e Hippie que explodiria no final do ano de 1965.

A estória segue o libreto de Pete Townshend & Cia., sem muitas modificações.

O cotidiano de Jimmy, com seu fanatismo pelo movimento; as históricas brigas com os Rockers (a famosa batalha de Brighton que assombrou a Inglaterra, é citada); o vício da anfetamina; o conflito familiar; o emprego massacrante e sem perspectivas etc etc.

O final é bem alegórico, embora muita gente interprete-o como um suicídio, simplesmente.

O filme só foi lançado em 1979, motivado principalmente por uma onda revival Mod, surgida em meio à manifestações nacionalistas derivadas do movimento punk. Com o surgimento de bandas como o The Jam, o assunto Mod voltou à tona, após tantos anos obscurecido na Grã Bretanha.

Phil Daniels interpretou Jimmy e outros atores da safra britânica jovem daquela época também atuaram, como Leslie Ash, Phillip Davies, Mark Wingett etc, além de uma curiosa participação do cantor/baixista do "The Police", Sting, que interpretou o mensageiro de hotel, "Ace Face", personagem da sensacional canção "Bell Boy", cantada por Keith Moon no disco do The Who.

Para quem não conhece o álbum do The Who, eu recomendo que o escute bastante antes de assistir o filme, pois a compreensão da estória será bem maior.

Para os Rockers colecionadores, ele é imprescindível na sua estante de DVD's, bem ao lado de "Tommy".
 
   Luiz Domingues - Músico