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sábado, 3 de março de 2012

Alice's Restaurant por Luiz Domingues

Arlo Guthrie é filho de um mito da música Folk americana, Woody Guthrie, que é um ídolo de Bob Dylan e outros tantos astros do Folk de teor político, o chamado "Protest Song". Mas mesmo sendo filho de um artista veneradíssimo não só pelo trabalho artístico, mas também como exemplo de lutador da causa operária/camponesa, principalmente nas décadas de 1930 e 1940, não se deitou em berço esplêndido e trilhou seu caminho na música.

Em 1965, Arlo já estava embebecido pela contracultura e emergente movimento hippie, quando criou uma canção chamada "Alice's Restaurant", contando uma longa estória sobre um cara que recusa-se a servir o exército na infame guerra do Vietnã, vai parar numa comunidade Hippie, abre um restaurante e se envolve num bizarro imbróglio com a polícia de uma pequena cidade interiorana.

A música fez grande sucesso e algum tempo depois, motivou a realização de um filme contando essa estória, com o próprio Arlo Guthrie atuando como o ator protagonista dessa aventura hippie.

E assim, foi lançado em 1969, aproveitando o embalo Woodstockiano e de reboque a popularidade grande de Arlo Guthrie, aliás, um participante do mítico festival e com direito a participação no documentário oficial do mesmo.

O filme segue a estória cantada na canção. Arlo faz o papel de si próprio e vive o dilema de querer ser músico e ser rejeitado no conservatório musical pelo preconceito com seu visual Hippie. Para piorar as coisas, é convocado a se alistar no exército. Encarando tudo com uma boa dose de sarcasmo, vai parar numa comunidade Hippie de Massachussetts e ao encontrar a amiga, Alice (interpretada por Pat Quinn), resolve abrir o Restaurante da Alice, que dá nome ao filme e à canção.

Na comunidade em que vivem, abrigam viciados em drogas e daí saem alguns conflitos abrindo campo para questionamentos sobre a liberalidade do movimento .

Numa ocasião, Arlo e amigos resolvem despejar o lixo acumulado do restaurante no aterro sanitário da pequena cidade, mas como ele estava fechado por conta do feriado de "Thanksgiving" (Dia de Ação de Graças), resolvem despejar num outro terreno qualquer. São surpreendidos então pela polícia, que os prende.

Esse episódio de fato ocorreu na vida real de Arlo e o policial que o prendeu foi convidado a interpretar a si próprio no filme e topou fazer essa aparição !
O Oficial "Obie", foi interpretado por ele mesmo, Willian Obenhay.

A cena de Arlo se apresentando na junta militar é hilária. Lembra um pouco a cena de Claude Bukowski em "Hair", mas aqui, o diretor Arthur Penn deu vazão ao sarcasmo de Arlo, conforme está descrito nos versos da canção que inspirou o filme.

Arthur Penn era, faleceu em 2010, um diretor respeitado em Hollywood e com carreira profícua, portanto, sabia bem o que estava fazendo, apesar de certos críticos terem torcido o nariz para esse Hippie Movie no calor dos anos sessenta.

A fotografia é muito bonita, a trilha espetacular, o momento sessentista arranca emoção e há uma dose de singeleza na estória, apesar do humor sarcástico de Arlo.

Recomendo a cena onde Arlo Guthrie visita o pai, Woody Guthrie no hospital onde estava internado e junto à Pete Seeger, tocam e cantam, homenageando o velho Woody.

E também a já citada cena no alistamento militar, além da cena da Kombi psicodélica despejando o lixo indevidamente, num terreno não autorizado.

Um bom filme, diversão garantida.