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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

DESABAFO*** POR ALANA BOTTEGA LIMA*****

Alana estuda filosofia na UFRJ
Quando nós somos "respeitadas" na rua pelos habituados assediadores é porque somos propriedade de um outro homem. Esse pensamento não me sai da cabeça. Passei 5 dias andando por aí de mãos dadas. Protegida. Mas durou só até a ida ao banheiro na rodoviária, quando cheguei de volta. É assim toda vez. É na rodoviária, deixando o Lucas ou voltando pro rio, que eu lembro que o homem que nos assedia na rua não consegue compreender que a gente é gente, que a gente é livre, que eu tenho o direito à minha própria existência desacompanhada de um dono. O homem que nos assedia na rua não sabe o que é amor. Não sabe o que é liberdade. Só conhece de propriedade. O homem que assedia, que te chama de gostosa, de princesa, ou então aquele que fala coisa muito pior, ele não faz isso porque tá admirando tua beleza, nem admirando "a" beleza do mundo, essas babaquices. Não tá te elogiando. Ele tá dizendo assim: quando tu passa é pra eu olhar, quando tu põe a roupa é pra eu tirar, pra eu gostar, teu corpo é meu pra avaliar, eu não sei nem calar a minha boca pra tentar te respeitar. A gente sente na voz, sente no olhar, sente na pele (no gelado que passa pela pele), no embrulhar do estômago. A gente é objeto, doce na vitrine. O Lucas quer ficar sempre do meu lado. Mas imagina se um dia não preciso de homem do meu lado pra ser tratada feito gente? Fim de desabafo.